AudreyEntendo a necessidade da publicação de tantos  “guias” explicando para pessoas o que elas devem ou não fazer afim de não ofender as regras da boa educação e da convivência em sociedade.

São conselhos absolutamente óbvios mas  acho que estão adquirindo nova profundidade à luz de alguns dos atuais comportamentos. Coisas que incomodam à alguns podem nem ser notadas por outros e pensando nisso, em um exercício de catarse, decidi falar de algumas atitudes que abomino.

A da senhora e do garoto que “navegavam” tranquilamente em seus celulares durante o filme como se estivessem em sua sala de estar, ou  da moça que comia pipoca de boca aberta permitindo que o cinema inteiro ouvisse o crósh, crósh de sua mastigação; do cara que rouba sua vaga no estacionamento embicando o carro enquanto você manobra ou daquele que ocupa o espaço reservado aos deficientes e sai lépido e fagueiro de seu automóvel.

Ainda no caso de motoristas, ninguém mais inconveniente do que aquele que estaciona seu carro em 45 graus sobre a calçada obrigando os pedestres a passarem pelo meio da rua. Isso geralmente acontece em frente à farmácias e consultórios médicos como se estar doente justificasse a falta de consideração com os outros. Deve ser a profunda dor provocada pela falta de cérebro que os impede de pensar direito.

Jovens e não tão jovens sentados no metrô  que fingem dormir para não terem que ceder o lugar às mulheres grávidas ou aos idosos;  gente que chega na maior cara de pau e cumprimenta efusivamente um “amigo(a)”  que está mais próximo de ser atendido e ali fica, furando as imensas filas que se formam diante dos caixas nos bancos ou no supermercado.

Gente que na hora do almoço ocupa mesa na área de alimentação do shopping e fica lendo jornal  sem comer nada nem dar lugar para quem quer fazer uma refeição;  gente que fala alto no celular nos obrigando a ouvir suas conversas desinteressantes ou confidências constrangedoras, ou gente que “esquece” de desligar o aparelho no cinema, teatro, sala de aula, velório, etc. Infelizmente tudo isso já faz parte de nosso cotidiano.

Sempre que vejo uma mulher trabalhando de mini blusa e calças justíssimas de cintura baixa, deixando dois palmos de barriguinha (ou barrigão, na maioria dos casos) pra fora penso que ela está no lugar errado. Se você não é stripper, não está na praia ou na balada com seus amigos, porque vestir-se assim?  Será que pouca roupa aumenta a produtividade?

O mesmo vale para homens com aquelas calças ou bermudas que deixam um pedaço da cueca aparecendo e um pedaço da bunda idem.  Não sendo gogo boy, qual interesse em mostrar seu traseiro peludo no local de trabalho?

Se você é frequentador de academia nada mais lógico do que levar sua toalha e ir se enxugando durante os exercícios, não é? Então porque um jornal de grande circulação de São Paulo precisa publicar um guia dizendo que não se deve deixar o suor encharcar os aparelhos usados? Falta de assunto ou necessidade?

Mas o que posso ou devo fazer nesses casos? Reclamar? Fazer cara feia?  Tentar educadamente explicar que aquilo não é adequado? Fingir que não estou vendo  e ir cuidar da minha vida?

Minha vontade muitas vezes é ignorar as boas maneiras e a educação, voltar à selvageria e chutar a lataria do carro do folgado; arrancar o celular da mão da navegante idiota e botar um esparadrapo na boca dos que falam alto no tal celular.

Mandar a mastigante fechar a boca; riscar a lateral do carro do ladrão de vagas; puxar o adormecido do banco do metrô; arrastar o fura filas pelo cangote; colocar minha bandeja de almoço em cima do jornal do “leitor” e empurra-lo da cadeira. Obrigar a moça exibicionista a usar uniforme bem feio daquele tipo saia folgada e camisa branca com gravatinha e o mostra-bunda a usar terno.

Claro que os dois últimos parágrafos não podem ser postos em prática sob pena de sermos chamados de intolerantes ou  colocados em camisa de força e imediatamente internados, mas que dá vontade, isso dá.

Entretanto, como sou uma lagartixa muito lady, me controlo  e fecho os olhinhos imaginando como o mundo seria melhor se as pessoas tivessem um pouco mais de consideração.