Fox PaulistinhaNa minha infância tivemos um cachorro super vira-lata, mas com aparência idêntica ao  Fox Paulistinha. Seu nome era Dog e tinha um talento muito especial: sabia se equilibrar em superfícies estreitas. Nossa casa, como todas as outras do bairro, tinha muros separando os quintais e meus irmãos e eu gostávamos de exibir nosso cão equilibrista para os amigos. Dog andava em cima dos muros feito cachorro de circo todo orgulhoso daquela habilidade aprendida sabe-se lá como.

Tivemos também uma cachorra de nome Beleza, escolhido por minha mãe devido á evidente boniteza daquela vira-lata ruiva. Essa sabia ficar na calçada esperando os carros passarem para depois atravessar e ir até o açougue em frente buscar seu osso semanal. Sabia também me encontrar todas as noites na porta do colégio, pontualmente no horário de saida, garantindo minha segurança no caminho de volta para casa.

Beleza só teve um deslize na vida: deu uma mordidinha em minha irmã quando ela tentou mexer com seu filhote. Meu pai não quis nem saber e também cometeu um deslize: levou a cachorra para um bairro bem longe e, com a consciência pesando uma tonelada, a deixou lá. Choramos, eu e meus irmãos, durante 3 dias – o tempo exato para que ela achasse o caminho de casa e voltasse toda suja, faminta e muito feliz por nos reeencontrar. Graças à esse esforço foi perdoada por meu arrependido pai e  ficou conosco por muito tempo.

 Lembrei dessas e outras histórias quando alguém comentou sobre a tentativa do, felizmente  ex Deputado Antônio Ebling e o, infelizmente atual, Deputado Fernando de Fabinho, de alterar a Lei Federal n° 9.605/98 – Lei dos Crimes Ambientais.

Esses senhores apresentaram projetos para derrubar a lei na parte em que ela protege os animais de maus tratos. O senhor Fabinho argumenta que rodeios, vaquejadas e rinhas fazem parte da “cultura popular”. Disse também que : “Além do mais, quem cria galos ou canários para competição não causa ao animal nenhum mau-trato“.

O ex deputado Ebling propõe o seguinte: “considerar lícita a conduta da pessoa que pratica abuso, maus-tratos e ato de ferir ou mutilar animais quando tal comportamento for destinado à atividade científica, cultural recreativa ou desportiva”

De onde esses  homens sairam? A que tipo de cultura eles se referem? Eles certamente sabem que “competição” entre animais quase sempre termina com ferimentos graves ou com a morte violenta de um deles. Não dá para argumentar que na natureza é assim. Ali é a luta pela sobrevivência. Aqui é a diversão sádica e imbecil.

Quem quiser lutar contra a indignidade que esses pseudos representantes do povo querem transformar em lei, por favor assinem e divulguem a petição no link:

http://www.petitiononline.com/artigo32/petition.html

Depois, boa ação feita, um videozinho pra relaxar.