Paulo ZuluTodo mundo tem um “tipo ideal” pelo qual certamente se apaixonaria ao primeiro olhar. O meu é o Paulo Zulu ops é um homem alto, moreno, olhos verdes, sorriso maravilhoso, gentil, inteligente, simpático, que saiba cozinhar e, sobretudo, loucamente apaixonado por mim.

Minha amiga Marina também tinha o “tipo” dela. Trabalhávamos em uma empresa, onde além de nós duas apenas mais uma mulher, a Elaine, batia  cartão. Cercadas por um mar de testosterona  logo ficamos amigas; almoçávamos juntas em um “PF” das redondezas e aproveitávamos essa horinha de paz para conversar “assuntos de mulher” que no escritório eram absolutamente proibidos sob pena de virarem alvo de semanas de deboche e palhaçada por parte de nossos coleguinhas masculinos.

O tipo ideal da Elaine era, por assim dizer, “comum” como o meu, ou seja, um deus da beleza, com a diferença de que pra ela esse deus deveria possuir o carro do ano que não podia ser Fusca nem Brasília. Agora, o da Marina  já era um caso à parte. Antes de dar detalhes sobre o “príncipe”, vou descrever essa minha amiga: alta com aproximadamente 1,80m, magra, morena, esportiva, bonita e inteligente.

Em um desses almoços  Marina deu os detalhes sobre o seu “príncipe encantado”. Ele teria que ser mais baixo que ela, de preferencia um tanto gordinho, que usasse óculos, careca e – imprescindível – usar aparelho corretivo nos dentes. Primeiro pensamos que fosse uma brincadeira com a idéa de “homem ideal”, mas depois vimos que falava sério mesmo.

Levando em conta que ela já tinha uns 30 anos e estávamos nos anos 80 quando Ortodontia era quase um palavrão, ficamos ali o resto do almoço tentando convencê-la de que nenhum homem naquela faixa etária usaria o tal do aparelho. Nem atentamos para os fatores calvíce e obesidade! Quando Elaine e eu reparamos nos outros detalhes demos nosso veredito final: a Marina estava louca! Precisava urgente de medicação, internação, camisa de força!!

Durante muito tempo aquela história foi motivo de risadas e brincadeiras entre as três. Qualquer baixinho que cruzasse nosso caminho a gente já apontava pra Marina, mas a falta do tal aparelho nos dentes dificultava a escolha.

Então ela saiu de férias e viajou  junto com uma outra amiga para a Itália. A última etapa da viagem era em uma cidadezinha na região rural, onde essa amiga tinha parentes e foi aí que o improvável aconteceu!

A tal da amiga tinha um primo de Milão que também estava em férias hospedado na mesma casa que elas e adivinhem: trintão, baixinho, míope, meio calvo, um pouco acima do peso e, maravilha do destino…aparelho nos dentes!!

O “tipo ideal”  dele? Uma pirulona igual a Marina. Foi amor à primeira vista. Iniciaram um namoro lá entre os vinhedos, as férias acabaram e cada um voltou pra sua cidade.  Mas 2 meses depois aqui estava o baixinho no Brasil pedindo a Marina em casamento. Casaram-se e até onde eu soube eram extremamente felizes!