manequimNunca fui uma tábua e sempre tive quadril, cintura, busto e bunda;  pesava entre 50 e 52 kilos  distribuídos por 1,60m de altura e era considerada magra! Meu manequim era 40. Sim vocês entenderam bem QUA-REN-TA!! Manequim 34, 36 ou 38 era usado por adolescentes. Criança usava P, M ou G.

O tempo passou e os chineses e coreanos dominaram as confecções aqui em São Paulo trazendo uma modelagem esquisita tipo bacalhau. No início pensei que fosse uma coisa assim de economia de pano para baratear os custos e conquistar o mercado e que logo eles se adaptariam. Pura ilusão! Nossos fabricantes é que acharam a idéia maravilhosa e o que era manequim 40/42 hoje é mais ou menos 46/48; as grifes endoidaram e o chique virou  fazer roupas tamanhos 36 ou 38 como se costurassem apenas para  Eva Longoria ou o resto das Desperates.

 Para as que como eu passaram muito ou pouco dos 55 ou 60 kilos restaram as roupas de “gorda”, quadradas, sem  modelagem, nenhum detalhe elegante, desatualizadas, sem graça, parecendo com sacos de batatas com  buraco em cima pra passar a cabeça e buracos dos lados pra colocar os braços. Roupas que deformam nossos corpos, não respeitam nossa cintura, não valorizam nosso busto, não realçam nossos ombros e colos; roupas que nos deixam com a auto-estima magrinha, magrinha.

Nas lojas se pedimos alguma coisa no tamanho G o que nos oferecem são umas roupinhas que não passam pelos quadris ou pelas pernas e depois de tentar uns 15 modelos diferentes dá um ódio danado daquele amontoado de panos  jogados  no canto do provador. Nos sentimos uma “monstra de gorda” como diz uma amiga minha que também está um tantinho acima do peso. Essa mesma amiga comentou que simplesmente tamanhos2parou de comprar roupas…Outra que engordou quase nada ( pesa 58 kilos e tem 1,65m de altura), também está com dificuldade para encontrar algo que sirva e outro dia brigou feio em uma loja.

Aproveitei uma liquidação para comprar umas bermudas dessas mais compridinhas que estão na moda. Ficaram muito bons os tamanhos 54, 50 e 48 todas da mesma confecção e tamanho 44 de uma outra outra. Mato a cobra e mostro o pau e aí está a foto das etiquetas pra provar que não estou doida ainda.

Sapatos estão indo para o mesmo rumo. Experimentei um sapatinho básico para meia estação e o que me serviu era número 39!!! Estarrecida corri pra casa achando que estava com alguma doença que fizera meus pés aumentarem de tamanho da noite para o dia. Tirei a dúvida calçando um que já tenho – tamanho 37 – e serviu perfeitamente! Ou seja, estão diminuindo o tamanho dos sapatos também.

Agora posso me sentir uma “monstra de gorda” e também um “pé de lancha”. Tudo por cortezia de nossa indústria de vestuário e calçados que perdeu a noção das coisas.

Disseram que virá uma lei obrigando a padronização dos tamanhos de roupas e calçados. Só espero que o padrão adotado seja alguma coisa mais sensata e adequada à realidade pois quero voltar a pensar em bacalhau como sendo um peixe, consumido tradicionalmente na sexta feira santa.