Não sei bem por qual mecanismo de associação, mas vendo o vídeo acima comecei a lembrar dos mais recentes episódios policiais/jurídicos aqui no Brasil. Compartilho as imagens, minhas lembranças e algumas observações:

1 – CAMARGO CORRÊA

Quatro diretores e 2 secretárias foram presos pela Polícia Federal, supostamente acusados de provável evasão de divisas;  dinheiro possivelmente entregue supostamente de maneira quem sabe, ilegal para partidos políticos;  supostas fraudes em prováveis concorrências públicas; provável super faturamento de obras, enfim…os caras foram de A a Z nas prováveis, supostas, possíveis, quiçá, enfim, todavia, quem sabe, ilicitudes.

Para me precaver, recorri á algumas construções verbais que foram usadas pelo Juiz que expediu o mandado de prisão. Se ele que é mais esperto tomou tantas precauções, eu que não vou ser besta de sair acusando ninguém, não é mesmo? Longe de mim querer por lenha na fogueira, mas no ramo da construção civil os diretores e secretárias fazem tudo à revelia dos donos ou dos acionistas majoritários? Por isso que só eles foram denunciados e presos?

O nome dado à operação foi “Castelo de Areia”, aquelas construções feitas à beira mar  pelas crianças e que são destinadas a desmoronar assim que atingidas por uma marolinha  ondinha. Minha sábia avó dizia que os nomes carregam uma força que determina o destino das pessoas. Então senhores da Polícia Federal na próxima escolham um nominho mais apropriado, tipo Operação Pega Ladrão,  Operação Cadeia Neles, Operação Vergonha na Cara, etc. Quem sabe dá mais certo?

Infelizmente o espanto causado pelas notícias durou mais tempo do que as prisões propriamente ditas  já que foram concedidos habeas corpus e logo estavam todos na rua usufruindo a doce liberdade. Quem quiser entender melhor essa historia pode ler aqui que a Procuradora Karen Louise Kahn explica .

2 – DASLÚ

A senhora Eliana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi, sócia-proprietária da Daslú, uma boutique de luxo que cobra preços exorbitantes por suas mercadorias , foi presa junto com seu sócio-irmão Antonio Piva e o sócio-importador Celso de Lima. Foram condenados por crimes de formação de quadrilha, fraude em importações e falsificação de documentos.

Todos haviam sido acusados em 2005 na chamada “Operação Narciso”.  Ainda em 2005 a senhora Eliana foi presa e solta algumas horas depois. O irmão  e o sócio tiveram que aguentar um pouquinho mais e ficaram encarcerados por 5 dias. Em 2006 o Ministério Público afirmou que continuava a  prática do crime de sonegação de impostos e o irmão de Dona Eliana volta a ser preso e posto em liberdade algum tempo depois. Nesse mesmo ano, a boutique é  autuada por sonegação e a multa é de mais de 236 mil

Lembro-me que na época muitas vozes se levantaram à favor da empresária, dizendo coisas do tipo “só porque é a daslú”…”isso é inveja”…”queria ver se fosse um empresário qualquer, se ia ficar a televisão lá fazendo esse escândalo todo”…”a polícia federal quer se promover às custas de uma pessoa honesta e trabalhadora”…”esse promotor quer aparecer”… “isso é pra desviar a atenção”…blá,blá,blá…

OK. Todos foram soltos e fizeram o que? Segundo noticiado nos jornais, voltaram a tentar fraudar a Receita Federal subfaturando produtos importados para pagar menos imposto. Só não conseguiram porque a carga foi apreendida e a fraude descoberta. Por estarem em liberdade e continuarem cometendo os mesmos crimes, agora a juíza foi dura na condenação e na pena: 94 anos de prisão para cada um. Nova gritaria com uma outra argumentação acrescentada às antigas: “A senhora Eliana está com câncer e não pode ficar presa, é desumano, cruel e desnecessário.”

Mais uma vez, longe de mim querer tacar fogo na madeira; fico sensibilizada com a doença que debilita a empresária da mesma maneira que fico ao saber da doença de qualquer outra pessoa e preferia que ela estivesse saudável. Enquanto isso mais habeas corpus foram concedidos e todos estão livres outra vez. Fiquei em dúvida se o irmão e o outro sócio, acusados dos mesmo crimes, também estariam com câncer para serem libertados.  Ou será que não houve crime e foi tudo um grande engano daquele promotor que “queria aparecer” ou daquele juiz “que queria se promover às custas de uma empresaria honesta” ou Da Polícia Federal “que queria desviar a atenção”?

Narciso que ama a sua própria imagem deve estar furioso com o uso que fizeram de seu nome.