Ferramenta de Trabalho

Lembra-se da lixadeira Black&Decker que comprei, eventual leitor? Pois é, quebrou!! Depois de umas 8 horas de uso (distribuídas por alguns dias) a dita cuja não queria mais segurar a lixa.  Sem querer acreditar fiquei um tempão observando minha ferramenta principal e tentando entender o que estava errado. Após exame minucioso cheguei à uma triste conclusão: mierda tá quebrada mesmo!

Como sou uma consumidora consciente de meus direitos, peguei a lixadeira e a nota fiscal de compra e lá fui eu caminhando em direção à estação do metrô mais próxima, que fica há uns 15 minutos de distância da minha casa, e pra variar, sob um sol inclemente (anotação mental: preciso descobrir porque toda vez que tenho coisas para resolver na rua o sol resolve “rachar”). Peguei o metrô, depois de algumas estações troquei de trem, desci no Largo de São Bento e cheguei toda suada na loja De Meo da Rua Florêncio de Abreu, o que certamente não transmitiu uma boa imagem ao vendedor que me atendeu.

Expliquei para o moço o que estava acontecendo e ele me olhando com a maior complacência:

– A senhora tem certeza que está mesmo quebrada? Vamos verificar….(virando a lixadeira de um lado pro outro)…Humm, não estou vendo nada aqui…

– Seu Antonio, está quebrada mesmo. O senhor acha que eu ia sair da minha casa numa sexta feira, debaixo desse solzão pra vir aqui reclamar se não estivesse??

– Ahh…mas eu preciso verificar, porque se for defeito vamos ter que mandar para o fabricante analisar e fazer um laudo, e se estiver mesmo quebrada daí a gente troca pra senhora.

– Como assim, “fazer um laudo”?? Estou dizendo que não funciona e não sou idiota; minha casa está de pernas pro ar, todas as coisas que estavam dentro do armário estão esparramadas na minha sala!! O senhor acha que vou ficar esperando laudo??? Quero trocar isso agora mesmo!!! (além de suada, nesse momento eu já exibia um olhar assassino e só não estava aos berros porque sou moça fina).

– Beemmm, a senhora vai ter que falar com nosso gerente então, porque eu não posso resolver…(enquanto falava, ele ficava entortando disfarçadamente a haste que prende a lixa dando o famoso “jeitinho”).  Vou colocar uma lixa e testar pra senhora.

Para não matá-lo com uma chave inglesa que estava ali á mão fiquei caminhando pela loja e ele foi atrás de uma lixa (já contei que a loja não vende isso). Depois de uns 5 minutos achou uma, colocou na lixadeira,  prendeu a dita cuja e começou a dar uma lixadinha de leve numa embalagem de madeira, com um olhar de triunfo e provavelmente pensando que eu era uma idiota.

– Olha Seu Antonio, o senhor deu umas entortadinhas aí e funcionou, mas eu não quero saber. Essa lixadeira não é boa e a haste que prende a lixa perdeu a pressão muito fácil. Olhe bem pra mim e veja se tenho força física para entortar esse ferrinho aí como o senhor fez.  Ou vocês trocam ou saio e vou no Procon que é bem perto daqui e reclamo do produto.

Depois de avaliar meu pouco mais de 1,50cm de altura e o nível de fúria e indignação que cabia nesse invólucro, o vendedor achou melhor chamar o gerente que àquela altura já havia terminado de falar ao telefone.

– Pois não minha senhora, em que posso ajudar?, disse o Gerente.

Educadamente contei tudo de novo pra ele e falei do “conserto” que o vendedor fizera. Expliquei que não queria mais aquele produto, porque não atendia às minhas necessidades.

– Veja bem, esse é um produto que chamamos de robista…

– Ãhnnn?? Chamam de que??

– É usado para hobby, entende? É menos robusta que as profissionais, que são mais resistentes. E, às vezes, para baratear o custo, os materiais são inferiores mesmo. Não estou dizendo que é esse o caso, mas às vezes acontece. A senhora pagou cento e poucos reais nessa e uma melhor custa a partir de uns quinhentos reais… (e lá estava o olhar complacente de novo)

– Entendo. Mas veja que paguei por ela e se paguei tenho que usar não é ? Se o fabricante acha que pode oferecer um produto inferior porque é para hobby isso é problema dele e não meu. O material que estão usando nessa mola que prende a lixa é ruim demais na minha opinião. Entorta com facilidade e essa ferramenta não está cumprindo a função para a qual foi feita, o senhor me desculpe. O fato é que não posso ficar dependendo  do tal laudo que seu vendedor me disse ser necessário; não tenho tempo para esperar a boa vontade do fabricante. Quero trocar por outra de melhor qualidade e pago a diferença se for preciso (minha fúria e indignação crescia na medida em que o tempo passava); não tenho tempo pra “enrrolação” seja da loja seja do fabricante!

– Não, não… veja bem…se a lixadeira estiver em condições eu vou trocar pra senhora, mas é que às vezes o cliente derruba e vem aqui dizer que deu defeito…não que esse seja seu caso, é claro! (sorrisinho simpático)

Acho que nesse momento mudei de cor e meu ódio ficou extremamente visível demonstrando todas as possibilidades de assassinato que passavam pela minha cabeça porque o Gerente mandou o vendedor pegar outra lixadeira igual e me entregar. Voltei pra casa e reiniciei o trabalho, mas se essa droga afrouxar de novo vou direto ao Procon!

Quanto ao andamento da reforma do armário, falta lixar todas as portas e alguns lugares onde a lixadeira não alcança.