Segunda feira, típico dia desse inverno em São Paulo. Calor ameno, céu azul com nuvenzinhas brancas, nenhum prenúncio de chuva ou frio. Saio animada para ir ao supermercado aikiprogramabesta já que minha geladeira estava com eco de tão vazia.

Vou feliz e contente, quase saltitante porque lindas tardes ensolaradas são meu cenário predileto e presto atenção especial em tudo.  Uma linda árvore florida (sim aqui no bairro ainda existem árvores minha gente); uma moça simpática passeando com um cachorro lindão; um senhor de meia idade que passa e deixa o rastro de um perfume delicioso.

Adoro perfumes desde que não sejam adocicados e nessa segunda feira em especial, parece que todo mundo resolveu ficar cheiroso e vou desfrutando o prazer de sentir aromas pelas ruas. No supermercado exerço meu lado perdigueiro e cheiro mangas, melões, melancias e mexericas sem nenhum constrangimento, mesmo que a perua senhora do lado me olhe esquisito. Saio com minhas comprinhas e continuo feliz e saltitante, um pouco menos é claro, porque agora carrego uns 5 kilos em cada mão, mas continuo sorrindo.

Sem mais nem menos sou expulsa desse musical de quinta categoria e jogada na realidade mais abjeta. Um grupo de moradores de rua largados num canto da calçada exalam um perfume bem diferente. É o cheiro da miséria, do abandono e do desprezo com que essas pessoas são tratadas. Sinto medo e apresso o passo. Afinal eu estava rindo de que mesmo?