Dia desses caminhando na hora do almoço aqui pelo bairro bairro tive a atenção voltada para a moça que ia um pouco mais à frente. Baixinha e magra o que gritava era sua indumentária: uma calça-bermuda ou bermuda-calça de cintura alta, com o comprimento um palmo acima dos joelhos; jaquetinha curtinha parando ali pelas omoplatas; meia preta fio 40 e sapato salto baixo.  Achei o conjunto da obra bem estranho, mas eu não entendo nada de moda. 

Quando passei ao lado da esquisita, surpresa!!!  Beirava os 40 e tantos anos, muito próxima dos 50 o que fez o ridículo ser elevado ao infinito, já que nessa idade as pessoas tiveram um tempão pra aprender não é?! ! Fui cuidar da vida com um pensamento cristão: tadinha, deve trabalhar em uma produtora de cinema, loja de shopping algum lugar que exija uma roupa mais arrojada e eu que sou desinformada e não entendo nada de coisas fashion…

Semanas depois saio em busca de uma calça jeans porque as duas que tenho já estão à beira do abismo. Entro entusiasmada em uma loja bacaninha, com uma vitrine bonita e vou em direção á vendedora com um sorriso simpático (o dela e o meu).

– Bom dia! Eu estou procurando um jeans. Queria ver se vocês têm algum que seja com a cintura no lugar normal, um pouquinho abaixo do umbigo.

– Vou ver. É pra senhora? Qual seu número? Eu falo e imediatamente percebo o olhar de dúvida e desprezo naquele rosto antes simpático

Minutos depois a moça volta com uma pilha de calças e esperançosa vou desdobrando uma por uma.

– Errr…moça, essas 25 todas são de cintura baixa, todas tamanho P. Não posso vestir isso, já passei da idade e meu tamanho é G. Aliás acho que ninguém fica elegante numa coisa dessas né?! (sorriso amarelo, o dela e o meu).

Depois de entrar em dezenas de lojas, ver centenas de calças, meu entusiasmo inicial murchando à cada novo modelo, caio em total desanimo. Descubro no site de Glória Kalil que além das cinturas baixíssimas (lindas na Jennifer Lopes) mostrando o cofrinho ao menor movimento a outra tendência desse ano são as calças com cintura altíssimas, aquele treco abominável dos anos 80, se não me engano. Me pergunto mais uma vez para quem será que esses estilistas e fabricantes vendem. Quantas Giseles temos em São Paulo com 3 metros de pernas para envergar tais criações cuja cintura chegam quase abaixo do busto estilo santropeito e com fileira de enormes botões de cada lado da inexistente barriga ?

Parece que a proposta do mercado continua sendo fabricar roupas naquele molde pra mulheres magérrimas, altas e sem bunda. Repasso mentalmente quantas mulheres, jovens ou não, conheço e que se enquadrem nesse perfil: uma. Mesmo as brasileiras magras possuem em sua maioria um belíssimo derrière e não dá pra eliminar isso com dietas, malhação ou lipos.

As roupas em tamanho normal são difíceis de achar e quase sempre proporcionam o visual “tia véia” ou “evangélica conservadora”. Parece que à nós mulheres comuns, está destinado o inferno fashion. Ser baixa e/ou acima do peso, ter uma altura mediana, ter bunda, ter pneuzinhos , não ter mais 15 anos e não gostar de tecido sintético é pecado mortal.

Com licença que vou ali preparar meu banho de água benta.