Toda vez que aparece um filme sobre super heróis das HQ o mundo dos críticos entra em polvorosa. Fui assistir  “Batman,  O Cavaleiro das Trevas” já na pré estréia porque sou nerd, sou antenada, ganhei o convite e tava doida pra ver! Quase duas horas de viagem entre a minha casa e o cinema, mas assisti, adorei e daí pra frente comecei a acompanhar os comentários publicados na imprensa.

Teve de tudo até agora. Um crítico enjoativo na FSP desce a ripa como se filme sobre super herói tivesse alguma obrigação além de divertir. Não entendi o mau humor do sujeito porque quando quero ver algo profundo e que provoque surtos de reflexões filosóficas, vou assistir um filme alemão com legendas em sânscrito procuro filmes com temas apropriados e pensei, ingenuamente, que todo mundo fizesse isso.  Outros do mesmo jornal fazem uma leitura mais sensata indo do mundo da moda ao funcionamento de nosso cérebro, se é que isso seja sensato.

Foi assim vendo o filme e lendo os comentários que a pergunta do título surgiu. Abro logo o jogo: na infância e adolescencia eu queria o poder de manipular o tempo (muito antes de Hiro Nakamura). Imaginava que eu faria um pequeno e imperceptível gesto com as mãos no melhor estilo Mandrake (do Lee Falk), os caras do mal ficariam petrificados e eu ia lá resolver a parada. Depois, um pouquinho mais adulta, queria o mesmo poder pra ir ao futuro verificar na lotérica da esquina as dezenas sorteadas .

Os meninos em qualquer idade queriam ser o Homem Invisível por várias razões e nenhuma muito nobre ou super heróica.

Ontem entrei na livraria de um shopping classe A aqui do bairro pra procurar uma edição do Cavaleiro das Trevas e diante do comportamento grosseiro de uma cliente eu também desejei ser Invisível. Se tivesse conseguido, eu iria invisível e rápida até a sorveteria do lado, roubaria, compraria um balde de sorvete, voltaria em segundos, despejaria tudo na cabeça da estúpida e grossa mal educada e, invisível, permaneceria ali desfrutando o espanto e  sofrimento de minha vítima. Nada nobre nem super heróico porém muito gratificante.